Injeção semestral contra HIV custará até R$ 20,9 mil no Brasil

Injeção semestral contra HIV pode custar até R$ 20,9 mil

cotidiano

O mercado farmacêutico brasileiro já conta com a definição do valor máximo de comercialização para o lenacapavir, antirretroviral de aplicação injetável semestral contra o vírus da imunodeficiência humana. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento teve o teto estabelecido em até R$ 20,9 mil por ampola pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), dependendo da alíquota de impostos de cada estado.

Como funciona o novo medicamento

Ao contrário dos regimes tradicionais que exigem a ingestão diária de comprimidos, o fármaco representa uma classe inédita de inibidores de capsídeo, bloqueando múltiplas fases do ciclo de replicação viral. A administração subcutânea realizada apenas duas vezes ao ano surge inicialmente voltada a indivíduos adultos com quadro de infecção multirresistente, nos quais as combinações terapêuticas habituais já não apresentam eficácia suficiente.

O protocolo de uso clínico prevê uma fase inicial de adaptação com comprimidos de dosagem oral antes do início definitivo das aplicações injetáveis de liberação prolongada a cada seis meses.

Cenário de precificação e entrada no mercado

A homologação do preço de fábrica pela CMED autoriza formalmente a comercialização do produto em farmácias, clínicas e operadoras de saúde privadas de todo o país. O valor estipulado como limite impede abusos econômicos no setor particular, mas não representa o montante que seria desembolsado pelo governo federal em eventuais aquisições públicas.

Trâmites para incorporação na rede pública

A oferta gratuita da terapia na rede pública depende de um processo específico conduzido pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Cabe a esse colegiado analisar evidências científicas de custo-benefício, segurança comparada e o impacto orçamentário para o Ministério da Saúde antes de qualquer parecer sobre inclusão no SUS.

Além do uso terapêutico voltado a pacientes já diagnosticados, o composto avança em estudos científicos globais com foco na prevenção ao HIV por meio da profilaxia pré-exposição (PrEP), o que pode ampliar seu papel nas estratégias globais de controle epidemiológico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *