O início de Raquel Camargo debaixo das traves aconteceu quase por acaso, durante as brincadeiras em casa com o irmão Pablo. “Nas brincadeiras com meu irmão, sobrava sempre o gol para mim”, lembra a jovem. A confirmação definitiva veio aos 10 anos, em Capivari, quando substituiu a goleira titular da escolinha de futsal ADC e ajudou a equipe a vencer a partida.
Da quadra aos gramados
Aos 15 anos, a atleta de 1,71m é a camisa 1 do time sub-15 da Ferroviária, com contrato de formação válido até março de 2028. Ao longo de 12 partidas na temporada do Campeonato Paulista Sub-15 de 2026, ela terminou oito jogos sem sofrer gols. A campanha levou o clube à final, decidida contra o São Paulo, embora o título tenha ficado com as adversárias após uma derrota por 2 a 0 na volta.
Antes de chegar ao campo, Raquel construiu uma sólida trajetória no futsal, incluindo passagens pelo Eleven, onde foi eleita a melhor goleira da categoria sub-11 na World Futsal Cup de 2022, na Catalunha. A atleta também passou por Jundiaí e Fênix antes de migrar para os gramados pelo Guarani, sendo descoberta pela Ferroviária por meio de vídeos publicados no Instagram. “Eu vim de uma cidade do interior de São Paulo e, no começo, tudo que eu tinha eram minhas redes sociais”, destaca.
Superação e rotina intensa
A formação da gole também passou por desafios, como um período inicial em que pensou em desistir após sofrer muitos gols. Com o apoio da mãe, Sandra, e aulas individuais, a confiança foi recuperada. “Depois dessa fase, nunca mais pensei em desistir do meu sonho”, afirma. Além disso, ela treinou intensamente com equipes masculinas no futebol society, o que considera fundamental para sua evolução, embora tenha lidado com comentários preconceituosos de torcedores na base.
Atualmente, sua rotina em Araraquara divide-se entre os estudos pela manhã e os treinamentos rigorosos na Ferroviária à tarde, sob a supervisão do preparador André e da técnica Verônica Coutinho. Inspirada na goleira Lorena Silva, Raquel mantém o foco em seus objetivos futuros. “Minha família nunca precisou me cobrar para ir aos treinos, porque essa vontade sempre partiu de mim”, conclui.
