Bolsonaro e Talvane Albuquerque: o que há por trás da chacina de 1998?

Caso Ceci Cunha: o voto de Bolsonaro a favor de Talvane

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Um dos episódios mais violentos da história política brasileira voltou ao debate público ao resgatar a postura de parlamentares diante da Chacina da Gruta, ocorrida no fim dos anos 1990 em Alagoas. Na ocasião, a deputada federal recém-diplomada Ceci Cunha foi assassinada a mando de seu suplente imediato, Talvane Albuquerque, que mais tarde recebeu apoio explícito de Jair Bolsonaro durante o processo de cassação na Câmara dos Deputados.

O crime que chocou o país em 1998

Na noite de 16 de dezembro de 1998, Ceci Cunha comemorava a diplomação para o mandato na Câmara dos Deputados na residência de familiares, em Maceió, quando criminosos armados invadiram o local. O ataque resultou na morte da parlamentar, de seu marido, da mãe e de um cunhado.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público apontaram rapidamente para Talvane Albuquerque. Como primeiro suplente da coligação, ele era o beneficiário direto da eliminação da titular para assumir a cadeira em Brasília, o que motivou o planejamento da emboscada.

A reação no Congresso e a defesa de Bolsonaro

Logo após tomar posse em virtude da vacância do cargo, Talvane passou a enfrentar forte pressão política e popular. O Conselho de Ética da Câmara abriu processo por quebra de decoro parlamentar para destituí-lo do posto, gerando um dos debates mais tensos da legislatura iniciada em 1999.

Em abril daquele ano, o plenário da Câmara votou de forma esmagadora pela perda de mandato do médico alagoano. Entre os raros parlamentares que se manifestaram publicamente contra a medida estava Jair Bolsonaro, então filiado ao PPB do Rio de Janeiro. Da tribuna, Bolsonaro sustentou que a Casa não deveria punir o colega antes de uma condenação judicial definitiva, argumentando que a medida representava um julgamento precipitado.

O desfecho judicial do caso

Apesar da oposição de uma minoria restrita de deputados, Talvane Albuquerque foi cassado por 426 votos favoráveis. O processo criminal seguiu na Justiça Federal por mais de uma década, enfrentando sucessivos recursos da defesa.

Em 2012, o Tribunal do Júri condenou Talvane a mais de 100 anos de prisão como mentor intelectual da chacina, confirmando as acusações que haviam motivado sua expulsão do Parlamento anos antes.

O episódio permanece como um marco sobre a violência eleitoral no Brasil e expõe os bastidores das alianças e posicionamentos individuais no Congresso Nacional em momentos de comoção nacional.

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