Um levantamento abrangente revelou um cenário alarmante de hostilidade digital durante a Copa do Mundo do Catar. De acordo com os dados compilados pela Fifa em parceria com o sindicato global de jogadores (FIFPRO), mais de 50% dos atletas e membros de comissões técnicas que disputaram o torneio receberam mensagens de cunho abusivo, discriminatório ou ameaçador em suas redes sociais.
Monitoramento rastreou milhões de publicações em tempo real
O diagnóstico foi obtido por meio do Serviço de Proteção de Mídias Sociais (SMPS), ferramenta criada especificamente para combater a toxicidade virtual em grandes competições. O sistema analisou cerca de 20 milhões de postagens e comentários em plataformas como Twitter (atual X), Instagram, Facebook, TikTok e YouTube ao longo do Mundial.
Do total de conteúdos avaliados, centenas de milhares foram classificados como tóxicos e precisaram de intervenção imediata. As mensagens nocivas foram ocultadas ou denunciadas diretamente às empresas administradoras dos aplicativos para remoção e aplicação de sanções aos perfis infratores.
Picos de ódio após eliminações e pênaltis perdidos
As estatísticas apontam que o fluxo de ofensas não se distribuiu de maneira uniforme durante a competição. Os momentos de maior concentração de mensagens violentas coincidiram com partidas decisivas do mata-mata, sobretudo em lances cruciais como cobranças de pênalti desperdiçadas ou eliminações precoces.
Entre as manifestações mais frequentes, destacaram-se agressões verbais diretas, discursos homofóbicos e ataques racistas direcionados a atletas específicos. Em diversos episódios, familiares dos esportistas também se tornaram alvos de comentários odiosos nas seções públicas e mensagens privadas.
Encaminhamento às autoridades e ampliação do suporte
Diante da gravidade de alguns conteúdos, que incluíam ameaças explícitas contra a integridade física de jogadores e dirigentes, os relatórios mais críticos foram encaminhados às polícias locais e internacionais para investigação criminal.
A entidade máxima do futebol estabeleceu que a ferramenta de proteção cibernética passará a ser empregada de forma contínua em outros torneios internacionais, incluindo a Copa do Mundo Feminina e categorias de base, visando resguardar a saúde mental e a segurança dos profissionais envolvidos nos eventos esportivos.
