Brasil x EUA: Copom e Fed decidem juros no mesmo dia; veja o que está em jogo

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O Brasil e os Estados Unidos concentram nesta quarta-feira (16) decisões importantes sobre suas taxas básicas de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, e o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, anunciam suas decisões no mesmo dia, em uma coincidência conhecida no mercado como “Super Quarta”. A expectativa é de movimentos opostos: queda da Selic no Brasil e aumento dos juros nos Estados Unidos.

No Brasil, a projeção predominante entre analistas do mercado financeiro é de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passaria de 14% para 13,75%.

A possível decisão ocorre após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que registrou deflação de 0,32%. Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a redução dos preços da energia elétrica e sinais de desaceleração da atividade econômica doméstica.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o desempenho da inflação e o enfraquecimento da atividade econômica ajudam a explicar a perspectiva de corte dos juros pelo Banco Central.

Um dos sinais de perda de ritmo da economia apontados pelo especialista foi a redução do consumo das famílias no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre.

Apesar desses fatores, a expectativa é de que a redução de 0,25 ponto percentual desta quarta-feira encerre o atual ciclo de cortes da Selic, com uma nova trajetória de estabilidade que pode se estender até 2027.

Fed deve elevar juros nos Estados Unidos

Enquanto o Banco Central brasileiro é esperado para reduzir a Selic, o Federal Reserve deve seguir na direção contrária.

As projeções apontam para uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros norte-americanos, levando a taxa para uma faixa entre 3,75% e 4,00%. Caso o movimento se confirme, será a primeira elevação dos juros dos Estados Unidos desde julho de 2023.

Segundo Vitor Kayo, a possibilidade de aumento dos juros ganhou força nos últimos dias diante de uma combinação de fatores.

“A probabilidade de alta subiu de cerca de 60% para perto de 90% nos últimos dias, após um discurso mais duro de Kevin Warsh [presidente do Fed] em Jackson Hole, dados de inflação de agosto mais resistentes do que o esperado e a disparada do petróleo para acima de US$ 100 o barril, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio”, explica o economista.

As projeções citadas pelo especialista também indicam a possibilidade de novas altas dos juros americanos, com a taxa podendo alcançar 4,75% ao longo do próximo ano.

Diferença entre juros do Brasil e dos EUA chama atenção

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, um dos principais pontos da “Super Quarta” será justamente a diferença entre as taxas de juros brasileiras e americanas.

Com as decisões previstas para esta quarta-feira, esse diferencial deve diminuir em 50 pontos-base.

“O Brasil continuará oferecendo juros nominais muito superiores aos americanos, mas o capital internacional não compara apenas taxas: compara retorno, moeda, risco fiscal, liquidez e previsibilidade. O Brasil pode continuar pagando muito bem e, ainda assim, precisar convencer o investidor de que o cheque vale o risco”, afirma.

A especialista também chama atenção para os possíveis efeitos das decisões do Fed sobre o câmbio brasileiro.

“É justamente por isso que o câmbio merece atenção especial. Um Fed mais restritivo tende a aumentar a atratividade dos ativos denominados em dólar e pode exercer pressão sobre moedas emergentes. Para o Brasil, isso importa duas vezes: primeiro pelo fluxo de capital e depois pela inflação importada. Uma depreciação mais persistente do real encarece produtos e insumos dolarizados e pode reduzir a liberdade do Copom para acelerar o ciclo de cortes. Uma decisão tomada em Washington pode, portanto, alterar a velocidade da Selic em Brasília. Banco Central corta juros olhando para a inflação, mas a inflação também olha para o dólar”, complementa.

O que a Super Quarta significa para os investidores?

Apesar da relevância das decisões, Olívia Flôres de Brás recomenda cautela na interpretação dos anúncios. Para ela, o investidor não deve tratar a “Super Quarta” como um evento capaz, por si só, de justificar grandes mudanças na carteira.

A orientação é acompanhar principalmente os comunicados divulgados pelo Copom e pelo Fed, já que os documentos podem trazer indicações sobre os próximos passos da política monetária nos dois países.

“Para o investidor pessoa física, portanto, a principal mensagem é diversificação e disciplina de alocação. Ainda existe remuneração muito relevante na renda fixa brasileira, enquanto a continuidade do ciclo de cortes pode abrir oportunidades em renda variável e outros ativos de risco; ao mesmo tempo, o cenário americano reforça a importância da diversificação internacional”, diz.

As decisões desta quarta-feira, portanto, serão observadas não apenas pelos impactos imediatos sobre a Selic e os juros americanos, mas também pelas sinalizações que os dois bancos centrais poderão oferecer sobre os próximos meses.

Por Redação

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